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Como foi o maior evento da piscicultura brasileira

Como foi o maior evento da piscicultura brasileira
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Se a piscicultura brasileira estava a mercê de um evento nacional que representasse todo o setor, agora não está mais.

De 15 a 18 de maio ocorreu o Aquishow Brasil 2018, em Santa Fé do Sul, município do noroeste paulista. Pela primeira vez o evento teve oficialmente um caráter nacional, que vai permanecer para os próximos anos como frisado na abertura pelo presidente da Peixe SP, Emerson Esteves.

O evento teve como comissão organizadora a Peixe SP – Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União, Prefeitura Municipal de Santa Fé do Sul, Representantes da CATI, da APTA, do Instituto de Pesca, do Cimdespi, e de empresas envolvidas na produção e comercialização de peixes na região.

Segundo a organização, o número de inscritos chegou a 2.700 pessoas e 106 empresas de todos os elos da cadeia produtiva expuseram seus produtos aos visitantes. Diversos tipos de ração, estruturas de cultivo, kits e equipamentos de monitoramento da qualidade de água, aplicativos para gestão da piscicultura, fornecedores de alevinos de tilápia e exposição de produtos com valor agregado, como por exemplo, tilápia recheada, um produto da Brazilian Fish.

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O resultado disso foi inúmeros negócios prospectados e concretizados. Ao todo a feira movimentou cerca de 10 milhões de reais. Alguns parceiros da Aquaculture Brasil avaliaram os três dias de evento:

A feira foi bem movimentada, em relação ao ano passado a estrutura ficou melhor, tivemos pessoas de outros estados, atendemos até pessoas de outros países, como Paraguai. Dessa forma, fizemos muitos contatos, fechamos alguns negócios na feira mesmo e outros ficaram para futuras negociações. A Telamarck hoje é representante da Belgo Aqua. Fabricamos tela para piscicultura, bolsão, sacola e tanques-rede também. Otávio, empresa Telamarck (representante Belgo).

Primeiro ano que participamos e foi muito interessante. Essa é uma região que predomina o cultivo em tanques-rede ao invés de tanques escavados, e nosso mercado é voltado mais para tanques escavado, mas vieram muitos clientes de outros estados, como Mato Grosso e Goiás, dessa forma, foi muito bom, pois fizemos muitos contatos. Acredito que o Aquishow Brasil se consolidou como um evento nacional. A Engepesca está com 32 anos e somos uma empresa pioneira no Brasil. Conhecemos e começamos a fazer redes para aquicultura, trazendo uma tecnologia da pesca industrial. Dessa forma, fazemos redes, mas não em série, pois gostamos que o cliente fale conosco, diga o tamanho do viveiro para personalizarmos sua rede. É tudo sob medida, desde o início da empresa. Phillip, empresa Engepesca.

É o segundo ano que a Spring Genétics participa da feira, ano passado estávamos presentes, mas esse ano teve todo o diferencial da feira ser a nível Brasil, realmente foi um crescimento exponencial.  Recebemos visitantes de todo Brasil e até internacional, como por exemplo, da Bolívia. O Brasil é um mercado que vemos muito potencial e é um mercado que queremos atender. O intuito da nossa participação na feira é divulgar nossa genética de tilápia e não necessariamente a nível comercial. Atualmente o nosso grande diferencial é na seleção a resistência das doenças frente as duas bacterioses de maior impacto a nível comercial, a streptococcus. Além disso, os melhoramentos genéticos são em relação a taxa de crescimento, conversão alimentar e rendimento de filé. Mas o nosso grande diferencial em relação ao mercado é realmente essa resistência a patógenos. Micaele, Técnica de produção na Spring Genetics.

A feira foi ótima, é o terceiro ou quarto ano que participamos e temos percebido que já cresceu muito. Já tinha crescido no ano passado, mas neste foi exponencial. Foram muitos negócios, visitas e produtores de todas as regiões do País e até do exterior. As nossas novidades são as novas unidades da Aquaporto/ Aquaamerica em Capitólio – MG, Nova Esperança – PR, e Santa Clara do Oeste – SP. Além da comercialização de alevinos e juvenis da nova geração AQUA3 em todo o Brasil. Jorge Vieira, AquaAmérica/Aquaporto.

-A Escama Forte está desde o primeiro Aquishow. Sem dúvida este foi um dos melhores até o momento, fruto do amadurecimento do setor. Vemos o evento com muitos bons olhos e foi muito legal. Recebemos pessoas inclusive de países como África, Bolívia e França. E do Brasil tivemos pessoal de todos as regiões. Foi muito positivo para fechar negócios. Nós viemos com os nossos carros chefes, que são os probióticos, os aeradores, máquina de classificação de peixes e algumas novidades no setor de aditivos nutricionais, porque assumimos agora a distribuição da Biorigin. André Camargo, empresa Escama Forte.

Neste segundo ano que viemos a feira podemos dizer que foi muito positiva. No ano passado, ficamos fora da área da exposição, mas nesse ano nos programamos, tanto que o nosso estande foi um dos primeiros, ficando assim, em um lugar estratégico por saber que a feira seria muito maior do que foi ano passado e que o resultado seria muito bom, e de fato foi. Principalmente porque estamos lançando um produto que é novo no mercado, a nossa linha de aeradores. Pudemos comprovar pelo movimento aqui no estande que o público aumentou muito, dessa forma saímos muito satisfeitos.  Fabiano, Empresa Giraqua, distribuidor autorizado Alfakit

É a primeira vez que participamos e estamos achando bastate interessante. A feira está bem focada para a piscicultura, ficamos muito satisfeitos com o resultado dela. Recebemos clientes da Bolívia e diversos outros estados nos quais atuamos. Realmente teve uma presença nacional muito grande. Fechamos alguns negócios, mas principalmente muitas prospecções e as feiras para nós é isso, colhemos os resultados ao longo do ano. Marcelo Garoti, empresa Têxtil Sauter.

Visitas técnicas

Este é um grande Polo produtor de tilápia em tanque-rede, uma vez que a região é banhada por sete reservatórios que somam 4.135 km² de áreas alagadas, destacando-se o reservatório de Ilha Solteira.

Ao entorno destes reservatórios estruturou-se uma cadeia produtiva com fornecedores de alevinos, fábricas de ração e indústrias processadoras de pescado. Essa estrutura facilita o desenvolvimento local da piscicultura em tanques-rede.

Segundo levantamento da Peixe SP, a região produziu em 2017 por volta de 50 mil toneladas de tilápias.

Assim, no último dia do evento é organizado visitas técnicas para conhecer os empreendimentos da região. Neste ano as  visitas foram em três empresas:

Piscicultura Peixe Vivo (Esmeralda, SP) – produção de alevinos de tilápia.

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Geneseas Aquacultura (Santa Fé do Sul, SP) – produção de juvenis de tilápia em sistema de bioflocos.

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Piscicultura Canaã (Nova Canaã Paulista, SP) – Engorda com fabricação própria da ração para o consumo no empreendimento.

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Visão dos organizadores

Para Emerson Esteves, presidente da Peixe SP, uma das instituições que abraçou a organização do evento, ocorreu tudo dentro do planejado. Muito satisfeito, ele comenta que para o próximo ano o desafio é continuar melhorando “Precisamos continuar trazendo novidades para o setor, com um maior número de empresas e agências de fomento, atraindo assim um maior público. O Aquishow esse ano reuniu as maiores empresas do setor, não só do Brasil. Reunimos o maior balcão de atendimento com EMBRAPA, ANA, SEAP, CETESB, EMBRAPA, entre outros. Dessa forma, tornou-se um evento de discussões, de tecnologia, de conhecimento e de firmar negócios. Porque o Aquishow Brasil é isso, é o que incrementa o dia a dia do produtor e o desafio agora é continuar dando essa cara”.

Quanto ao local, Emerson coloca que deve permanecer o mesmo “A ideia é manter o local por enquanto, temos espaço para crescer o evento ainda”.

Marilsa Fernandes também reafirmou que o resultado do evento foi justamente o esperado, fruto de muito trabalho e dedicação “Nós sabíamos que iria ser isso aqui. Estamos trabalhando logo que acabou o Aquishow 2017 com a responsabilidade do que nos propusemos no ano passado quando lançamos o Aquishow Brasil 2018 e que este teria uma proporção nacional, então começamos a trabalhar nesse sentido. Tivemos empresa do norte, nordeste, sul, centro-oeste… Então, eu tinha mais ou menos uma visão desse evento e fomos trabalhando no sentido de organizar e planejar muito bem o que queríamos”.

Se foi uma surpresa o sucesso do evento? Muito pelo contrárioNão foi surpresa, foi uma confirmação do que planejamos. Agora que passou a ser uma responsabilidade direta minha, da Peixe SP, nós sabíamos o que queríamos. Nós sabemos exatamente o que a gente quer com o Aquishow: que ele seja o maior evento da piscicultura brasileira, e eu acho que já é. O evento foi a consagração do nosso planejamento”, finalizou Marilsa.

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Mais fotos do evento 

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Imagens  © Aquaculture Brasil