PEIXE BR X ABCC

PEIXE BR X ABCC
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Duas entidades que admiro e respeito muito. Nasceram com o objetivo de defender os interesses do setor que representam. E assim estão fazendo. Porém, ainda não falam a mesma língua quando os interesses são da nossa aquicultura como um todo. Com um agravante: politicamente atuando em diferentes frentes. Enquanto ABCC defende a criação da nova SEAP/PR, a Peixe BR defende a permanência (ou retorno) no MAPA. Em meio a isto temos o MDIC. Como não bastasse tantas siglas e tantos órgãos para “cuidar” da nossa atividade, todos nos confundem (ou misturam) com pesca extrativa.

Assunto polêmico, assunto delicado. Meu lado prudente diz que é melhor não escrever sobre isto. Mas, quem acompanha e conhece meu recente histórico de envolvimento com organismos aquáticos, sabe bem que meu interesse é um só: desenvolvimento da aquicultura brasileira. Exceto quando “puxo a brasa para o meu lambari” (espécie a qual pesquiso), todas minhas ações, meus discursos, …. são voltados, sem qualquer viés e muito menos ideologia política, para o estímulo da produção sustentável de proteína aquática.

Além disso, ando intensamente e em igual proporção, tanto pelo universo da carcinicultura quanto o da piscicultura. Converso constantemente tanto com Peixe BR quanto com ABCC. Então, não é que alguém me contou ou recebi informações através de grupos do WhatsApp. Tenho algum conhecimento de causa por constatação própria. Entre o risco de escrever sobre um assunto delicado e esperar pacientemente um desenrolar da situação, prefiro a primeira opção.

Alguém me dê uma resposta convincente do por que devemos continuar aceitando este vínculo com pesca extrativa? Se quando converso com as duas entidades representativas ambas são contrárias a isto, por que nenhuma ação concreta é feita? Sendo que este desmembramento da pesca não necessariamente precisa acontecer de modo oficial junto ao ministério que eventualmente estivermos vinculados. Apenas precisamos ter identidade própria! Além de já termos plenas condições pra isto, é algo que só depende nós! E o que precisamos para termos identidade própria? Simplesmente sermos reconhecidos como AQUICULTORES.

Por incrível que pareça, ao levarmos nossas reivindicações como piscicultores ou carcinicultores, causamos uma grande confusão na cabeça de nossas lideranças políticas. Talvez nem seja pelo fato de eventualmente não saberem a diferença entre um e outro e a pesca, mas sim pelo fato de haverem tantos interesses envolvidos que simplesmente confundem as coisas. E isto é facilmente notado nos discursos. Portanto, cabe a nós mesmos desenvolvermos ações para deixarmos claro o que é aquicultura.

Agora o que me deixa inquieto realmente é o fato de termos duas entidades fortes, devidamente respeitadas por seus associados, porém, traçando diferentes estratégias de políticas públicas para o setor. Por que não uma só voz, por que não uma só entidade representando a aquicultura como um todo. Se não somos tão bem organizados e unidos como deveríamos ser, ao menos deixemos isto entre nós. Mas na hora de pleitearmos nossos anseios, uma só voz é fundamental.

Neste sentido, propõe-se uma Associação Brasileira de Aquicultura, com os respectivos conselhos de piscicultura e carcinicultura, bem como os representantes estaduais de cada atividade. Conforme se justificar a entrada de outras atividades de criação de organismos aquáticos, julga-se a pertinência de novos conselhos. Simples? Aparentemente sim, mas na prática tenho alguma noção do quanto pode ser complexo. O fato é que da forma como está, não tem lógica.

Ainda com certo desconforto em abordar assunto delicado como este, resta-me a segurança de já ter conversado informalmente com os presidentes de ambas as associações sobre isto. Enquanto um se mostrou favorável e disposto em colocar a ideia em prática, o outro não foi contrário. Ou seja, dialogar é o passo seguinte. No anseio que o primeiro passo seja dado, coloco-me a disposição para colaborar.

Só, se vai mais rápido. Juntos, vamos mais longe….