Principal Colunas Manejo alimentar – Parte II – Taxa de arraçoamento

Manejo alimentar – Parte II – Taxa de arraçoamento

Manejo alimentar – Parte II – Taxa de arraçoamento
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Na coluna passada apresentei o conceito de manejo alimentar e abordei com maiores detalhes a frequência alimentar. Se você ainda não teve a oportunidade de lê-la, recomendo que busque a edição número 8! Hoje continuarei no mesmo assunto, porém tratando sobre a taxa de arraçoamento. Vale ressaltar novamente que existe uma sinergia entre a frequência alimentar e a taxa de arraçoamento, portanto, para resultados mais precisos, recomendo avaliar esses dois parâmetros em conjunto através de um desenho experimental fatorial. A taxa de arraçoamento consiste na quantidade (em unidades de peso como kg e g) de alimento ofertado diariamente, que pode ser: 

1. Preestabelecida em função da porcentagem de biomassa de um tanque que, para muitas espécies de peixes, por exemplo, pode variar entre 3% e 7%; ou

2. Baseada na saciedade aparente, a qual é definida pela redução do frenesi alimentar dos organismos, porém é algo subjetivo, variando de acordo com o bom senso de cada um. Ambas têm suas vantagens e desvantagens, e são utilizadas dependendo do objetivo da alimentação, sistema experimental ou de criação, espécie em questão, fase do ciclo de vida, entre outros fatores.

É fato que quanto mais alimentarmos um organismo, mais ele crescerá, porém isso ocorre até certo ponto. O mais importante a ser considerado é o quão eficiente será o crescimento, pois o excesso de alimento pode alterar a composição proximal (principalmente acúmulo de gordura no filé e na região intraperitoneal), aumentar o fluxo gastrointestinal (aumento de fezes), aumentar o desperdício de alimento e ainda aumentar a entrada de nutrientes no sistema de criação, deteriorando a qualidade da água do mesmo.

Como ilustração, cito um experimento realizado com juvenis de 3g do peixe marinho enxada (Chaetodipterus faber, de potencial aquícola comercial e ornamental) alimentados com duas frequências alimentares (1 e 3 vezes ao dia) e três taxas de arraçoamento (3, 5 e 7% da biomassa). Foi utilizada uma ração comercial de 1,4 mm para peixes marinhos com 50% de proteína bruta, 10% de lipídio, 3% de fibra e 16% de cinzas. Após 39 dias, observamos que quanto maior a taxa de arraçoamento maior o crescimento, e quanto mais frequente a alimentação maior o crescimento, independente da taxa de arraçoamento. Assim, para essa espécie, tamanho de organismo, tipo de alimento e sistema de criação, a melhor frequência alimentar foi de 3 vezes ao dia. Já em relação a taxa de arraçoamento, vale ressaltar que apesar do maior crescimento dos peixes alimentados a 7% da biomassa, o mesmo é menos eficiente que 5% da biomassa. Nesse mesmo estudo foram observados acúmulo de lipídio e redução de proteína na composição proximal de peixes inteiros conforme o aumento da taxa de arraçoamento. Para mais informações, sugiro a leitura do artigo Trushenski et al., (2012).

O intuito dessas duas últimas colunas foi demonstrar a importância do regime alimentar na aquicultura e sua influência na produção, na qualidade nutricional do produto final, na sustentabilidade e viabilidade da fazenda.

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Figura 1. Crescimento (peso final individual) de juvenis de peixe enxada alimentados com diferentes frequências alimentares (1 e 3 vezes ao dia) e taxas de arraçoamento (3, 5 e 7% da biomassa) por 39 dias. (Trushenski et al., 2012).

Imagem © Belize, by Randall, J.E.