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Brasil X México

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Em novembro de 2017 tive a oportunidade de participar do Congresso Latino Americano de Aquicultura (LACQUA), realizado na cidade de Mazatlán, no México. Na ocasião, pude conversar com vários colegas Latino-americanos e visualizar o que vem sendo realizado a nível de piscicultura marinha. Foram poucas as apresentações sobre a temática, mas me impressionou o que vem sendo realizado no México. Várias espécies nativas desse país sendo estudadas e produzidas comercialmente. Exemplo esse que poderia servir de espelho ao Brasil, pois temos muito em comum com nossos amigos mexicanos. Ao que pude ver, as semelhanças são a nível climático, cultural, diversidade de espécies, níveis econômicos e burocráticos… E, no entanto, ao contrário do Brasil, a piscicultura marinha deu grandes passos no México.

Na terceira edição desta revista, foi publicado um artigo onde se comenta que além da produção do atum azul do Pacífico (Thunnus orientalis), o México vem produzindo ainda a totoaba (Totoaba macdonaldi), a corvina (Scianoeps ocellatus) e o olhete (Seriola dorsalis). Pude acompanhar durante o LACQUA, que além dessas espécies ainda há o robalo (Centropomus undecimalis), o pargo (Lutjanus guttatus) e o olhete (S. rivoliana) sendo estudadas e/ou produzidas.

Outra questão que me chamou muito a atenção é que as dificuldades são as mesmas que enfrentamos no Brasil para o desenvolvimento da piscicultura marinha. Uma grande diversidade de espécies sendo estudadas, a escala de produção ainda é pequena – o que acaba dificultando o desenvolvimento adequado e específico de uma dieta para cada espécie – e a escassez de mão de obra qualificada, principalmente para a produção de juvenis em larga escala. Observando essas dificuldades, chama a atenção a comparação com o Brasil, pois são exatamente as mesmas dificuldades enfrentadas aqui.

Por outro lado, um aspecto importante impulsiona o desenvolvimento da piscicultura marinha no México: sua proximidade com os Estados Unidos e Canadá! Essa proximidade facilita a importação de equipamentos americanos para desenvolvimento dos laboratórios de produção de juvenis (por exemplo: equipamentos de sistemas de recirculação de água), facilitam a importação de ração comercial para peixes marinhos e de mão de obra especializada, e a proximidade com um mercado consumidor com grande poder de compra. Esses aspectos acabam encarecendo a produção, mas, por outro lado, proporcionam aos poucos o desenvolvimento da atividade e uma nova geração de renda ao país, que já é um grande produtor de camarão e tilápia.

Falando em produção de camarão e tilápia, tive a oportunidade de visitar uma fazenda de produção de camarão que aos poucos está migrando para a produção em sistema de bioflocos. Outra iniciativa, junto a universidades locais, é a inclusão da tilápia em bioflocos como alternativa e diversificação da produção de camarão em fazendas comerciais, devido as doenças que vêm afetando a carcinicultura. E por que a tilápia vem sendo introduzida em sistema de bioflocos marinho? Justamente pela falta de juvenis de peixes marinhos e de espécies adaptadas a esse sistema de produção, ou seja, mais um nicho de estudo com espécies marinhas, as adaptadas a sistemas de bioflocos!

Imagem © Artur Rombenso