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Bioflocos – todas as espécies são aptas?

Bioflocos – todas as espécies são aptas?
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Ano após ano depois de diversas visitas, cursos e treinamentos realizados no Brasil e fora dele, cada vez mais venho escutando nas rodas “informais” de conversas sobre o potencial e aplicação do sistema de bioflocos para diferentes espécies de organismos aquáticos. Mas afinal, quais seriam os fatores que devem ser levados em consideração antes de escolher uma espécie? Durante muito tempo, precisamente desde 2011 no meu primeiro curso ministrado sobre BFT realizado no México, sempre indago e questiono os participantes sobre quais seriam os fatores que devem ser levados em consideração antes de escolher uma espécie apta. Muitas vezes nossas “fronteiras” são limitadas às tilápias e aos camarões marinhos Litopenaeus vannamei. Mas em diversas regiões do Brasil e também em outros países, outras espécies desempenham papel fundamental na aquicultura regional e o sistema BFT poderia ser uma alternativa, ao menos em alguma etapa de produção. Neste sentido alguns pontos devem ser atendidos ou levados em consideração, tais como:

  • Hábito alimentar filtrador e/ou detritívoro: neste sentido haveria um melhor aproveitamento dos agregados microbianos, com consumo direto dos bioflocos e consequentemente redução na conversão alimentar e economia com rações;
  • Aparato morfológico adequado: como rastros branquiais mais desenvolvidos nos peixes e maxilípedes diferenciados nos camarões, onde facilitaria a apreensão das partículas suspensas e/ ou aderidas em algum substrato (biofilme);
  • Tolerantes a níveis intermediários dos compostos nitrogenados: visando um melhor enfrentamento dos picos de amônia e nitrito que normalmente ocorrem durante os ciclos produtivos;
  • Tolerantes aos sólidos suspensos: presentes nos sistemas e que devem ser monitorados e, se necessário, controlados, visando o bem-estar da espécie e a manutenção da qualidade de água do cultivo;
  • Tolerante a altas densidades de estocagem: item importante para uma correta formação dos bioflocos e ajudando a viabilizar o sistema;
  • Preferencialmente de ciclo curto de produção: “fugindo” dos riscos inerente de qualquer cultivo intensivo;
  • Possuir bom valor de mercado: justificando os altos custos de investimento necessários para o sistema.

Estes são apenas alguns fatores, mas certamente com o avanço da ciência nas Universidades e Centros de pesquisa, somados às experiências da iniciativa privada, vamos ampliar os horizontes do conhecimento e poder aplicar com maior segurança este desafiador sistema (BFT) nas espécies alternativas brasileiras e mundiais. É ver para crer! Nas próximas colunas iremos relatar algumas experiências que deram certo e perspectivas para o futuro do sistema BFT para espécies alternativas!

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