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Inovações tecnológicas na cadeia ranícola – Parte III

Inovações tecnológicas na cadeia ranícola – Parte III
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Inovações em instalações e manejo na engorda

 

Se as “Inovações Tecnológicas na Cadeia Ranícola” voltadas à Girinagem sempre foram tímidas, é na Engorda que elas aparecem com força total! A grande variedade de sistemas produtivos para rãs é destinada aos dois momentos existentes na engorda: Recria, ou engorda inicial; e a Terminação, ou engorda final. Além disso, outras inovações também se voltaram a forma como as rãs devem ser alimentadas, pois, por serem estritamente carnívoras após a metamorfose, só aquilo que apresenta movimento as atrai.

Podemos, inicialmente, definir os sistemas de criação de imagos e rãs em alagado ou inundado e semissecos (Figura 1). Nestes últimos, como o termo sugere, preconizou-se destinar uma área da baia para que os animais tivessem livre acesso à água, sendo esta área denominada de piscina. É importante frisar que o contato direto com a água é pré-requisito para o bem-estar das rãs, uma vez que se hidratam e respiram pela pele (além das respirações pulmonar e bucofaríngea), bem como defecam e urinam na água também. A área seca é destinada, normalmente, à colocação do alimento e, em certos modelos como o anfigranja, podem possuir uma pequena casa protegida da luz, denominada de “abrigo”.

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Figura 1. Baia semisseca com rãs em processo de engorda

No sistema inundado (Figura 2) os animais permanecem em contato permanente com a água, não existindo distinção entre áreas. A altura da lâmina d’água é menor quando comparada aos sistemas semissecos, pois deve permitir que a rã fique em estação, com a cabeça e as narinas emersas. Este modelo possui uma outra particularidade, i.e., como não há cocho, o alimento é servido diretamente na água e por tratar-se de ração extrusada, permanece boiando até que seja apreendido pelos animais. Esta característica de alimentação foi um divisor de águas na criação de rãs. Trazido em 1995 da Ásia para o Brasil, o sistema inundado revolucionou a forma de ofertar ração as rãs.

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Figura 2. Baia inundada com reprodutores de rã.

Antes disso, um estudo inovador realizado em 1984 por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (MG), sistematizou a criação da larva da mosca doméstica (Musca domestica) em cativeiro, de forma higiênica e econômica, sendo possível fornecer as rãs um alimento que se movia. A alta produtividade dessa espécie, aliada à sua característica de fotofobia, permitia que fossem servidas sobre a ração no cocho. Ao moverem-se para baixo da ração, mobilizavam todos os péletes e isso despertava o interesse das rãs. O advento das larvas permitiu a introdução da ração na alimentação de imagos e rãs e, em seguida, outros modelos foram criados, sendo o mais comum chamado de “cocho vibratório”, caracterizado por uma estrutura (armação) de madeira ou metal, revestido por uma tela, onde se depositava a ração e com o auxílio de um pequeno motor, que vibrava, permitia um certo grau de movimentação a mesma.

Modelos de criação vertical também foram desenvolvidos com o intuito de economizar espaço e permitir a criação de rãs em áreas, inclusive, urbanas. Poucos criadores adotam estes modelos atualmente, em virtude do custo de aquisição e manutenção serem altos, e o manejo mais trabalhoso.

Recentemente estudos voltados à alimentação automática vêm apresentando bons resultados e tudo leva a crer que será o futuro do Setor de Engorda de rãs. Setor este que apresenta menor taxa de mortalidade, mas por englobar o período de maior crescimento do animal, é o mais importante dentro do planejamento econômico do ranário.

Saudações ranícolas!