A precisão das cores

A precisão das cores
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Nesta coluna sempre tratamos da aquicultura de precisão, falando de equipamentos e tecnologia, só que desta vez vamos falar de outro viés da precisão. Estivemos no final do mês de (maio) em Atibaia/SP, visitando a 36º Exposição Brasileira de Nishikigoi. Antes que se perguntem o que é isto, deixem-me explicar o que são nishikigois.

Nishikigois? São as carpas coloridas? Caro leitor, isto dito a um criador (como nosso amigo André Camargo, colunista da Aquaculture Brasil) pode soar como ofensa. Nishikigois (Nishiki = êxito na vida + Koi = carpa) são carpas selecionadas ao longo de muitos anos exibindo padrões de cores que as permitem ser divididas em diferentes variedades. As quatro principais são: Kohaku (base branca com estampas vermelhas), Taisho (base branca com estampa vermelha e preta, além de apresentar listras pretas nas nadadeiras peitorais), Showa (base preta com estampa branca e vermelha devendo possuir uma estampa preta na base das nadadeiras peitorais) e Utsurimono (base preta e estampa branca ou vermelha, devendo possuir base da cor da estampa nas nadadeiras peitorais). Mas existe um total de 20 variedades reconhecidas.

O evento foi promovido pela Associação Brasileira de Nishikigoi, entidade que congrega os criadores desta espécie. Aliás, esta associação foi fundada em 10 de setembro de 1978 representando nosso país na renomada entidade ZNA (Zen Nippon Airinkai), que reúne todas as associações de diversos países. A credibilidade desta associação é motivo de orgulho para todos que trabalham com aquicultura no Brasil. Seu atual presidente, André Palumbo, é um gentleman de carteirinha, atendendo a todos com atenção e cortesia. Segundo a associação, no Brasil temos exemplares de Nishikigoi em vários órgãos públicos tais como o Palácio do Planalto em Brasília e no Pavilhão Japonês no Parque do Ibirapuera em São Paulo. Esses Nishikigois foram trazidos diretamente do Japão e presenteados às autoridades brasileiras, sendo soltos nos lagos em cerimônias especiais,como símbolo de amizade e intercâmbio entre o Japão e o Brasil.

Um pouquinho de história… As carpas tem sua origem reconhecida na Pérsia chegando ao Japão através da China. No ano de 538 a.C., por ocasião do nascimento do primeiro filho de Confúcio, o Rei Shoko do Ro presenteou o sábio com uma carpa que recebeu o nome de “Koi”, pelo qual passaram a ser conhecidas. O Nishikigoi passou a ser conhecido no Brasil através da dedicação de Saburo Furukubo, que por volta de 1960, com a orientação de Takahiro Yabe, começou sua criação em Atibaia, SP. Em 20 de julho de 1975 foi realizada a 1° Exposição de Nishikigoi no Brasil. O julgamento dos nishikigois é feito separadamente por tamanho e variedade de cores. São selecionados os três primeiros lugares de cada classe, procedendo-se a seleção dos Campeões e Vice-Campeões de cada BU (divisão por tamanho), do Campeão Juvenil, o melhor até 45 BU e do Campeão Geral. A divisão por tamanho (BU) pode ser vista na tabela 1.

Tabela 1. Divisão por tamanho (BU) utilizada para o julgamento dos nishikigois.

Várias empresas prestigiaram o evento este ano, expondo seus produtos e serviços, o que tornou a exposição um evento bem interessante para se atualizar em relação às novidades do setor. Afinal, a aquicultura ornamental movimenta um importante nicho de mercado. Impressionante a diversidade de rações para Nishikigoi com os fabricantes apresentando produtos que fariam inveja até ao mais exigente criador de tilápias ou pintados.

As diferentes variedades de Nishikigois, expostas em tanques circulares com água límpida, exibiam suas cores e estampas, chamando a atenção desde os especialistas até das crianças que se maravilhavam com os peixes. Um capítulo à parte foi a cerimônia de premiação. Um merecido reconhecimento aos que se empenham em criar e manter exemplares de ímpar beleza. A precisão nas cores, estampas, e a harmonia na distribuição do colorido ao longo do corpo dos exemplares me fizeram refletir sobre o quanto da precisão compõe este ramo da aquicultura.

Pudemos também encontrar velhos amigos e com alegria ver o sucesso dos mesmos. Um destaque para o criador do Rio de Janeiro, Mario Porto, companheiro de aquicultura que eu não via há mais de dez anos e fiquei emocionado quando um dos seus peixes foi premiado. E por sinal, o André Camargo também teve alguns de seus peixes premiados. O evento ainda teve uma apresentação de Taikô (apresentação conjunta de diferentes tambores) que chamou a atenção da plateia pelo ritmo e habilidade dos artistas. E quem acha que um evento deste não tem muito público, está muito enganado. Pelas fotos dá para ver que este evento reúne produção, entretenimento e lazer, trazendo um público bem diversificado.

Finalizando, foi um excelente programa que nos proporcionou muito conhecimento e reflexão. Não podemos restringir o conceito de aquicultura de precisão apenas a equipamentos e tecnologias. Tem muita precisão nos organismos produzidos pela aquicultura no Brasil.

Até a próxima coluna.

Figura 1. Da esquerda para a direita, Mario Porto, Eduardo Sanches, Silvio Romero e André Camargo. © Eduardo Sanches

Figura de capa: Nishikigois premiados  © Eduardo Sanches