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Modelo misto de alimentação em função da taxa de arraçoamento

Modelo misto de alimentação em função da taxa de arraçoamento
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Na coluna anterior apresentei o modelo misto de alimentação intercalando duas rações com diferentes conteúdos proteicos, uma com níveis mais altos de proteína e outra com níveis mais baixos. Hoje abordarei a outra vertente desse modelo, que muitos acreditam ser a melhor das opções, a qual consiste na variação da taxa de arraçoamento (quantidade de ração ofertada) diária entre uma alimentação otimizada (O = taxa de arraçoamento otimizada) e outra mais reduzida (B = taxa de arraçoamento baixa). Um recado para os leitores que não estão familiarizados com conceitos de regime alimentar (taxa de arraçoamento e frequência alimentar): não se preocupem, pois nas próximas colunas tratarei do assunto.

Vou utilizar o mesmo estudo da coluna anterior como exemplo, mas agora com enfoque na variação da quantidade de alimento ofertada. Relembrando, esse experimento foi realizado com juvenis de tilápia de 40g, criados em viveiros semi-intensivos por 60 dias, alimentados diariamente com uma dieta de 33% de proteína bruta intercalando duas taxas de arraçoamento (O = 2,3% de biomassa por dia e B = 1,5% de biomassa por dia). No total, foram 9 tratamentos: O, B, 1O/1B, 2O/2B, 3O/1B, 1O/3B, 3O/2B, 2O/3B e 3O/3B. O tratamento O indica alimentação com a taxa de arraçoamento O (otimizada) enquanto que o tratamento 1O/1B intercala um dia com taxa de arraçoamento O e um dia com taxa de arraçoamento B (baixa), e assim por diante.

Os principais resultados são apresentados nas figuras 1 e 2. Assim como no experimento anterior, não observou-se diferença significativa em ganho de peso, porém, em termos de conversão alimentar aparente (CAA), peixes alimentados com o tratamento B (taxa de arraçoamento baixa) apresentaram um valor de CAA mais reduzido em relação aos demais tratamentos, com exceção do tratamento 2O/3B. Em termos de taxa de eficiência proteica (definida como a relação entre ganho em massa corporal por consumo proteico), os tratamentos com mais dias de alimentação com baixas taxas de arraçoamento (2B e 3B) foram mais eficientes em converter proteína da dieta em massa corporal. Porém, o mais interessante foi a combinação das taxas de arraçoamento, pois resultou em pontos positivos de ambas as taxas. Por exemplo, os tratamentos com mais dias de alimentação com taxas de arraçoamento otimizadas (2O e 3O) apresentaram maior crescimento ao custo de CAA mais elevada e menor eficiência proteica. Por outro lado, o oposto ocorreu com os tratamentos com mais dias de alimentação com baixas taxas de arraçoamento.

Conclui-se que, nas condições experimentais apresentadas, o melhor modelo de alimentação misto foi em função da taxa de arraçoamento, principalmente devido à análise de viabilidade econômica, pois em muitos locais o preço das dietas com diferentes níveis de proteína são similares. Outro ponto favorável desse modelo está relacionado à logística, pois a existência de dois tipos de dietas pode dificultar a compra, armazenamento e organização dos alimentos, resultando na oferta de alimento equivocado.

Espero ter esclarecido os conceitos básicos do modelo misto de alimentação. Ressalto que existe muito material sobre o assunto, inclusive na fase de larvicultura de peixes de água doce. Assim, tire proveito desses e outros conceitos existentes e otimize o modelo de alimentação de sua fazenda, maximizando seus ganhos de forma eficiente e com menor impacto ambiental.

Figura 1. Ganho em peso e conversão alimentar aparente de juvenis de tilápia (40g) criados em viveiros semi-intensivos e alimentados com uma mesma dieta de 33% de proteína bruta, porém intercalando a taxa de arraçoamento (O = 2,3% de biomassa por dia e B = 1,5% de biomassa por dia), utilizando o modelo misto de alimentação (Patel e Yakupitiyage, 2003).

Figura 2. Taxa de eficiência proteica (ganho em massa corporal pelo consumo proteico) de juvenis de tilápia (40g) criados em viveiros semi-intensivos e alimentados com uma mesma dieta de 33% de proteína bruta, porém intercalando a taxa de arraçoamento (O = 2,3% de biomassa por dia e B = 1,5% de biomassa por dia), utilizando o modelo misto de alimentação (Patel e Yakupitiyage 2003).