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A importância do zooplâncton na larvicultura de peixes marinhos

A importância do zooplâncton na larvicultura de peixes marinhos
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A larvicultura de peixes marinhos é um dos principais gargalos para a produção em larga escala de juvenis, e isso é devido ao diminuto tamanho das larvas. A grande maioria das espécies de peixes marinhos produzidas são desovantes pelágicos e as larvas são altriciais com tamanho geralmente inferior a 2mm. O primeiro alimento dessas larvas é o vitelo e posteriormente passa ao alimento exógeno após a abertura da boca, que é o zooplâncton. Dessa forma, a disponibilidade e a qualidade nutricional do zooplâncton é essencial para o sucesso da larvicultura.

Existem basicamente dois grupos de zooplâncton que são amplamente utilizados para larvicultura de peixes marinhos, os rotíferos e as artêmias. O rotífero é o primeiro alimento vivo empregado na alimentação de larvas e a espécie mais utilizada é Brachionus plicatilis. Após um período de coalimentação de alguns dias com os rotíferos, a Artemia sp. é o segundo zooplâncton oferecido antes das larvas receberem alimento inerte. As artêmias são geralmente comercializadas na forma de cistos e os náuplios recém eclodidos possuem aproximadamente (450µm).

A simplicidade na produção de rotíferos e a fácil aquisição e eclosão dos cistos de artêmia possibilitam a ampla utilização desses dois grupos de zooplâncton para aquicultura intensiva. Contudo, uma característica inerente aos dois grupos é que nutricionalmente ambos não são os mais adequados para alimentação de larvas de peixes marinhos, pois são deficientes em ácidos graxos altamente insaturados (AGAI) e alguns minerais e vitaminas. Para minimizar os problemas nutricionais desses grupos de zooplâncton a bioencapsulação ou enriquecimento são essenciais para a nutrição das larvas de peixes marinhos, aumentando o manejo e o custo de produção final com o zooplâncton.

Dessa forma, a busca por novos grupos de zooplâncton que possam ser produzidos de forma massiva a um custo adequado são recorrentes a décadas. Nesse sentido, principalmente a produção de copépodes vêm sendo avaliada. Os copépodes são ricos em ácidos graxos altamente insaturados (AGAI), os náuplios possuem um diminuto tamanho (~100µm) e demonstram excelentes resultados quando empregados na alimentação de larvas de peixes marinhos. Então, porque os copépodes não são utilizados de forma massiva?

De forma geral, os copépodes possuem três fases de desenvolvimento, os náuplios (6 estágios), os copepoditos (5 estágios) e os adultos. Essas várias fases de desenvolvimento implicam em organismos de diferentes tamanhos que precisam ser separados para serem ofertados as larvas, pois uma larva no início de sua alimentação irá predar apenas os náuplios. Os copépodes precisam ser alimentados com mais de uma espécie de fitoplâncton para sua produção adequada, o que aumenta os custos e o manejo de sua produção. E o principal problema é uma inconstância na sua produção.

Concluindo, o zooplâncton é essencial para a alimentação de larvas de peixes marinhos. Os rotíferos e as artêmias são amplamente utilizados e é possível produzir juvenis graças a esses grupos que são mundialmente empregados. Os copépodes são uma alternativa de elevada qualidade nutricional e os seus náuplios possuem um tamanho diminuto, podendo ser empregado para larvas de diminuto tamanho. Os copépodes vêm ganhando espaço, principalmente para larvicultura de peixes marinhos ornamentais. A Acartia tonsa e Tisbe sp. são espécies estudas no Brasil e que podem surpreender no futuro. Vamos aguardar!!

Figura 1. Fêmea ovada de rotífero Brachionus plicatis © Ricardo Vieira Rodrigues