Principal Notícias Cultivo de Peixes Por que muitas espécies conseguem sobreviver a diferentes níveis de salinidade?

Por que muitas espécies conseguem sobreviver a diferentes níveis de salinidade?

Por que muitas espécies conseguem sobreviver a diferentes níveis de salinidade?
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A grande maioria dos peixes vive em água doce ou em água salgada, no entanto, outras espécies, incluindo a tilápia, têm a notável habilidade de realizar ajustes fisiológicos para sobreviver a diferentes níveis de salinidade – uma característica que pode ser bastante importante diante da mudança climática que começa a alterar a salinidade das águas oceânicas e costeiras, bem como águas de lagos e rios.

Para entender melhor todo este processo, pesquisadores da Universidade da Califórnia identificaram segmentos de DNA em tilápias que influenciam a expressão dos genes, responsáveis pelo ajuste fisiológico interno do corpo do peixe em resposta as alterações de salinidade.

O estudo, intitulado “Osmolatily/salinity-responsive enhancers (OSREs) control induction of osmoprotective genes in euryhaline fish”, está publicado e disponível no portal “Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America”.

A pesquisa representa um marco no entendimento de como peixes altamente tolerantes ao estresse conseguem interpretar sinais e alterações ambientais em respostas fisiológicas e bioquímicas benéficas que lhes permitem sobreviver e se adaptarem a amplos níveis de salinidade – o que é mortal para a maioria das espécies.

O conhecimento de tal mecanismo é fundamental para criar condições ideais para que os peixes possam se beneficiar de uma maior tolerância ao estresse, por exemplo, na aquicultura e para fins de conservação.

Salinidade da água e a batalha para manter o equilíbrio

Ao contrário dos seres humanos e de outros animais terrestres, muitos peixes e animais aquáticos travam uma verdadeira batalha para manter o equilíbrio entre a água de dentro do organismo e a água em que vivem – processo chamado de osmorregulação. E o sal tem papel fundamental neste equilíbrio. Se houver muito ou pouco sal na água circundante, as membranas celulares, os tecidos e os órgãos são danificados, e o peixe morre – a menos que consiga compensar esta diferença.

Desenvolver estudos e pesquisas que possam levar a compreensão dos mecanismos genéticos que regem a osmorregulação é um importante passo para a implementação de práticas de manejo e que ajudem a prevenir a extinção de uma espécie.

A pesquisa

Os pesquisadores estudaram as células da tilápia de moçambique (Oreochromis mossambicus), uma das quatro espécies de tilápias que se cruzam facilmente e que produzem híbridos que são utilizados em todo o mundo para fins de aquicultura.

O estudo identificou cinco sequências de DNA, cada uma contendo um segmento comum que eles chamaram de OSRE1, como potenciadores dos processos de osmorregulação e resposta à salinidade.

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