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Ser ou Não Ser – Sólida Questão

Ser ou Não Ser – Sólida Questão
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Dia após dia cresce o interesse nos cultivos de bioflocos. E a coluna “Green Technologies” desta edição aborda um tema frequentemente discutido entre aqueles que já realizaram ou realizam esta modalidade de cultivo: a importância de se manejar (e bem) os sólidos! De uma maneira resumida, os famosos “sólidos” são partículas orgânicas e inorgânicas monitoradas nos sistemas BFT que podem estar suspensas na coluna da água, sedimentadas no fundo dos viveiros e tanques (quando em excesso ou quando ocorre uma má distribuição da aeração formando os lodos ou “sludge”) ou em frações muito reduzidas (<45μm) chamadas de sólidos dissolvidos. Existem outras frações, mas na prática são estas que detém maior atenção. Em outras palavras, são os bioflocos já formados ou em via de formação. São vários os motivos para monitorar e controlar os sólidos, dentre eles podemos destacar:

  1. Evitar uma respiração excessiva no ambiente de cultivo e consequentemente a queda dos níveis de oxigênio dissolvido;
  2. Diminuir a formação de amônia, nitritos e nitratos;
  3. Diminuir a formação do CO2 e a queda excessiva de pH;
  4. Diminuir a queda da alcalinidade;
  5. Evitar o acúmulo de fósforo;
  6. Evitar o recobrimento de brânquias de peixes e camarões, no qual pode resultar em estresse, proliferação de agentes patogênicos e aumento de mortalidades.

Como costumo dizer, pouco sólido (ou bioflocos) é ruim. E muito sólido também é ruim. Assim emerge a pergunta óbvia: como monitorar e quais os níveis ideais? Respondendo a primeira pergunta são basicamente duas maneiras de monitorar: 1) via a técnica de “TSS” (do inglês para “sólidos suspensos totais”); e via “SS” ou sólidos sedimentáveis. A técnica do TSS é muito mais precisa. No entanto, na prática é demorada e mais onerosa. Se a fazenda puder e quiser, ótimo! Caso contrário, uma opção mais prática e rápida é a técnica dos sólidos sedimentáveis (Figura 1) utilizando-se os famosos cones Imhoff, o que já é um bom começo.

Figura 1. Detalhe dos sólidos sedimentados do cone Imhoff em um cultivo de tilápia no México.

Em relação à segunda pergunta, a maioria da literatura especializada cita que para camarões marinhos o ideal é não ultrapassar 400-500 mg L-1 de TSS ou manter- se entre 5 a 15 mL L-1 medidos nos cones Imhoff . Para as tilápias, a faixa ideal e entre 20 a 50 mL L-1 medidos nos cones. Uma dica importante e vivida na prática e não ultrapassar os 10 mL L-1 para tilápias nas fases iniciais (de 0,1 a 20g). E uma vez detectado níveis elevados, como controlar? Dentre as diversas técnicas disponíveis, certamente a que vem chamando mais atenção é que reuni eficiência com baixo custo de operação/construção é o uso dos sedimentadores (também chamados de clarificadores, Figura 2).

Particularmente tenho uma alegria especial de mencionar esta técnica pois participei no ano de 2008 de um estudo considerado um clássico neste sentido, desenvolvido pelo amigo Dr. Andrew Ray no Waddell Mariculture Center-EUA (Ray et al. 2010). E foi notória a diferença de crescimento e qualidade de água quando os sólidos são controlados. Atualmente outra técnica que vem chamando a atenção no cultivo de camarões e a circulação de água para bacias de sedimentação com ou sem o uso de tilápias. Independente da técnica adotada, monitorar e controlar os sólidos deixou de ser uma necessidade futura para virar um manejo obrigatório nos cultivos BFT. Mãos a obra!

Clarificador

Figura 2. Controle de sólidos via sedimentadores em um tanque experimental de cultivo de camarões marinhos Litopenaeus vannamei na Universidade Nacional do México (UNAM).

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