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A aquicultura possui afinidade com dois setores importantes da economia brasileira. Por seu produto final, o pescado, possui vínculo com a pesca e por sua cadeia produtiva possui vínculo com a agropecuária. Isso em qualquer país do mundo traz os benefícios de ambas as estruturas existentes em cada uma das atividades, porém no Brasil o fruto é a insegurança conjuntural a qual o setor se expõe. No dia 14 de março de 2017 a sociedade brasileira foi surpreendida com a publicação no diário oficial que dizia transferir a Secretaria de Pesca e Aquicultura, antes lotada no MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para o MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Neste ato passou a ser responsabilidade do MDIC “a política nacional, o fomento à atividade, a organização da cadeia produtiva e a proposição das diretrizes da Pesca e Aquicultura”. Neste mesmo momento, até o mais o mais renomado cientista político no mínimo ficou na dúvida. Por conta do balanço das cadeiras da política brasileira e simplesmente para garantir apoios irrestritos entre os partidos que compõem a base de nosso governo, nosso setor muda de casa sem ser perguntado.

Ao maior especialista em desenvolvimento setorial ou a qualquer envolvido com a cadeia da aquicultura a dúvida e a incerteza pairam no ar e os questionamentos são a reação imediata. A reflexão isolada da política brasileira e que pensa apenas no setor produtivo é: para a aquicultura é mais importante o vínculo com a pesca ou com a agropecuária? Com certeza, pensando friamente o lugar da aquicultura é junto ao MAPA e junto às demais atividades zootécnicas que regem as políticas e diretrizes da agropecuária nacional. Porém, temos o “umbigo” colado à pesca que, devido as suas peculiaridades sociais, possui capital eleitoral extenso e interessa bastante aos diferentes grupos políticos do Brasil.

Respondendo a este questionamento precisamos lembrar da pequena representação política que possui nossa aquicultura, pois mesmo correndo sério risco de retrocesso histórico ao setor, em nenhum momento os governantes brasileiros se importam com a prima jovem e pobre da agropecuária nacional e a transferem para qualquer “cofrinho” de grupos políticos. Por outro lado, a paralisação causada por tal mudança estrutural virá devido à falta de preparo e capilaridade do MDIC, que tecnicamente não está desenhado para esta recepção. Talvez tenhamos chegado ao momento de como setor produtivo respondermos em voz alta: somos mais próximos da pesca ou da agropecuária?

Imagem © André Camargo

 

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