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Extrusão

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Na coluna dessa 5˚ edição vou abordar um tema bastante relevante para todos os participantes da indústria aquícola que é a Extrusão. Acredito que a maioria das pessoas já deva ter escutado esse termo, que e utilizado em várias situações, mas será que realmente sabemos o que é extrusão? Quais são suas vantagens e desvantagens? Qual e o seu valor para o produtor? Será que devo utilizar uma ração extrusada na minha fazenda aquícola? O objetivo dessa coluna é esclarecer essas e outras questões sobre esse importante processo de fabricação de alimentos. Esta será a primeira de muitas colunas sobre o tema.

A extrusão é um processo de cozimento através de um rápido aquecimento com altas temperaturas e pressão (em inglês, high temperature with pressure with a short time heating process). Esse processo de fabricação já é utilizado há muitos anos em varias indústrias, como a alimentícia (humanos e animais) e a de materiais, e está cada vez mais popular na indústria de alimentos aquícolas. Os produtos extrusados estão presentes no nosso cotidiano: a maioria das guloseimas que comemos, por exemplo, são extrusadas, incluindo bolachas, biscoitos, etc. Outro bom exemplo são os alimentos dos animais de estimação, como a própria ração e também os prêmios (biscoitos). Aliás, a indústria de alimentos para animais de estimação é uma das que mais cresce no mundo e a tecnologia e desenvolvimento em extrusão é um dos fatores que possibilita e impulsiona essa expansão. Pode-se dizer que a indústria de alimentos aquícolas se beneficia dessa expansão, integrando muitos conceitos, ideias, protocolos, entre outros fatores.

Dentre as várias vantagens da extrusão podemos citar a grande variedade de produtos fabricados através da seleção e combinação de diferentes ingredientes e processos de fabricação. Também podem ser determinados a forma, cor, textura, comportamento na água e funcionalidade do produto final. Outras vantagens incluem a redução da degradação nutricional do produto final, melhora da digestibilidade e remoção da maioria dos fatores anti-nutricionais, enzimas indesejáveis e microrganismos. Tais benefícios são bem utilizados para satisfazer a grande variedade de características de alimentos das espécies aquícolas. Pense em como são diferentes os alimentos fabricados para peixes, camarões e moluscos. Um alimento para camarão, por exemplo, deve afundar 100%, enquanto que alimentos para peixes podem flutuar 100%, ou afundar rápido ou devagar. Esse processo de fabricação possibilita a existência dessa vasta gama de produtos aquícolas e muito mais está por vir.

Em termos de desvantagens, pode-se listar o elevado custo de investimento, manutenção e operação quando comparado a outros processos como o de peletizacão (muito utilizado por universidades e centros de pesquisa), e a necessidade de mão de obra especializada. Em termos comerciais, no entanto, a adoção do sistema de extrusão é viável uma vez que o maquinário funciona 24 horas todos os dias. Porém, isso implica em desafios quando se trata da fabricação de novos alimentos aquícolas. Atualmente, enfrentamos um grande desafio com alimentos para peixes marinhos e novas espécies aquícolas. Na minha visão, para espécies mais estudadas já existe suficiente informação publicada para uma formulação adequada, e o que muitos pensam ser problema de formulação inadequada ou falta de conhecimento, na verdade é um problema logístico. Uma empresa de fabricação de ração utiliza seu maquinário 24 horas todos os dias, produzindo várias toneladas por hora, porém, fabricar uma dieta nova, que os técnicos não dominam por completo, e produzir apenas algumas toneladas, acaba não sendo financeiramente viável. Essa é uma das razões dos preços de dietas comerciais para espécies aquícolas pouco produzidas serem tão elevados.

Sou um grande fã do processo de extrusão e quanto mais me aprofundo nesse mundo, mais fico fascinado, pois ele nos oferece inúmeras possibilidades e a cada ano vemos avanços no desenvolvimento de alimentos aquícolas. Atualmente, em nosso laboratório de Nutrição e Fisiologia Digestiva de Organismos Aquáticos da Universidade Autônoma de Baja Califórnia, desenvolvemos uma patente de alimento extrusão úmido para espécies aquícolas, principalmente para grandes pelágicos. Os benefícios desse tipo de alimento são:

  1. Sendo úmido, o alimento é mais atrativo para os organismos (principalmente para espécies menos adaptadas ao confinamento) e mais semelhante ao alimento natural.
  2. Por ser extrusado, possui grande digestibilidade, funcionalidade, e sustentável pois diminui a dependência de recursos naturais limitados e é livre de microrganismos e fatores indesejáveis. Sua grande finalidade é suprir as demandas nutricionais através de um alimento adequado em termos de forma, cor, textura, funcionalidade e composição para peixes em cativeiro, como os grandes pelágicos (atum) e outras espécies muitas vezes encontradas em aquários.

Como mencionei anteriormente, essa é a primeira de muitas colunas sobre a extrusão e espero ter conseguido mostrar a importância e potencial desse tema, bem como despertado sua curiosidade para se aprofundar mais. Nas próximas edições escreverei sobre os benefícios desse tipo de alimento para a fisiologia dos organismos aquáticos, novos avanços, oportunidades, entre outros pontos. E para os interessados, gostaria de destacar que os cursos de Nutrição online da Aquaculture Brasil abrangerão em detalhes esse tema e muitos outros.

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Imagens © Arthur Rombenso

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