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Produção de Peixes Ornamentais Marinhos – Existe Muito a ser Explorado no Brasil

Produção de Peixes Ornamentais Marinhos – Existe Muito a ser Explorado no Brasil
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A aquariofilia vem crescendo bastante a nível mundial, o que impulsionou o interesse pela produção dos organismos com potencial para esse mercado. Certamente um ramo da aquicultura ornamental que tem se destacado é o dos peixes marinhos. Assim sendo, os brasileiros também abriram os olhos para esse mercado e na última década muitos estudos vêm sendo realizados no Brasil com espécies exóticas, mas principalmente com espécies nativas. Esse despertar foi bastante significativo e inclusive muitas instituições de ensino superior atualmente possuem setores para estudos com ornamentais marinhos.

Dentre as principais vantagens dos peixes ornamentais marinhos quando comparamos aos peixes de corte é que são peixes de pequeno porte, e consequentemente necessitam de pequenas estruturas/sistemas de produção para sua criação. Muitas espécies também possuem um ciclo de produção mais curto comparando às espécies de corte. Essas pequenas estruturas, aliadas ao ciclo curto de produção propicia a produção desses organismos ao longo de todo ano em qualquer região do país. Mas a grande vantagem é com certeza o valor de mercado destes organismos, que são vendidos por unidade e propiciam um bom lucro para os produtores.
Muitas são as espécies que vem sendo estudas quanto a sua produção no Brasil. Entre as exóticas certamente se destacam os peixes-palhaços do gênero Amphiprion e suas muitas variedades e híbridos. Enquanto as espécies nativas vale salientar o cavalo-marinho Hippocampus reidi, o neon gobi Elacatinus figaro com um número bastante significativo de estudos, já possuindo protocolos de produção estabelecidos, embora ainda seja necessário muito aprimoramento. Porém existem dezenas de espécies nativas que são coletadas e comercializadas no mercado externo e interno e tem amplo interesse em sua produção. Dentre as principais posso citar as espécies do gênero Pomacanthus, Pseudocromis e Centropyge, onde os primeiros estudos com espécies desses gêneros já começaram, porém pouco ainda se conhece sobre espécies nativas desses gêneros.

Algo muito importante que deve ser salientado é que estas espécies de peixes ornamentais (tanto para espécies dulcícolas como marinhas) são ainda em sua grande maioria coletadas em seu ambiente natural. A coleta de forma indiscriminada, aliada a degradação de seus ambientes naturais está levando muitas dessas espécies a estarem vulneráveis ou ameaçadas de extinção, caso do cavalo-marinho e do neon gobi. Sendo assim, a aquicultura dessas espécies surge também como alternativa para redução das coletas para suprimir o mercado de ornamentais e consequentemente reduzir a pressão de coleta sobre os estoques naturais desses peixes.

Infelizmente, uma reclamação que vem sendo relatada por muitos produtores em diferentes estados do país é a dificuldade (impossibilidade em muitos casos) e/ou a demora em conseguir as licenças para produção dos peixes ornamentais marinhos nativos. Essa questão frente aos órgãos (principalmente ambientais) não é nova para praticamente nenhum organismo aquático, o que acaba emperrando o desenvolvimento da cadeia de produção desses organismos. Acredito que a solução seja se organizar em associações para ter uma voz mais ativa frente a esses órgãos e tentar a criação de leis específicas para a produção de peixes nativos ornamentais.
Quanto aos peixes ornamentais marinhos nativos uma coisa é certa: Existe muito ainda para conhecer e o mercado é promissor. Nas próximas edições vou trazer alguns aspectos específicos sobre espécies nativas com protocolo já definido no Brasil.

Foto © Marcelo Shei, 2008

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