Principal Colunas Organismos Aquáticos Exigem Ácidos Graxos e Não Lipídios

Organismos Aquáticos Exigem Ácidos Graxos e Não Lipídios

Organismos Aquáticos Exigem Ácidos Graxos e Não Lipídios
0

É com grande prazer que escrevo mais um artigo para a coluna Nutrição, e hoje vou abordar um dos meus assuntos favoritos e um dos tópicos mais importantes no mundo da nutrição aquícola: ácidos graxos.

Meses atrás escrevi o artigo “Peixes requerem aminoácidos e não proteínas” que está de certa forma relacionado com o presente texto. Podemos supor que os organismos aquáticos exigem ácidos graxos e não lipídios, e sim, esse pensamento está correto. Da mesma forma que os aminoácidos são as estruturas básicas que formam as proteínas, os ácidos graxos por sua vez são as estruturas básicas dos lipídios. Por esta razão, é apropriado dizer que os organismos aquáticos têm uma exigência de ácidos graxos e uma demanda lipídica, e é equivocado dizer que têm uma exigência de lipídios.

Diferentes organismos possuem diferentes capacidades de sintetizar os diversos ácidos graxos.  As algas, por exemplo, possuem capacidade de produzir in vivo os ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa (em inglês, long-chain polyunsaturated fatty acids – LC-PUFAs), enquanto que apenas algumas espécies de peixes conseguem sintetizar esses nutrientes em níveis suficientes para atender suas exigências. Já a maioria das espécies de crustáceos possuem capacidade de produzir LC-PUFAs, porém há exceções, como a lagosta europeia. Independente da capacidade dos organismos de sintetizar esses nutrientes, o essencial é haver disponibilidade de LC-PUFAs, seja por produção in vivo (sintetização), seja por inclusão nas dietas.

Por que os ácidos graxos são tão importantes para a nutrição aquícola?
Os ácidos graxos em geral atuam como:

Organismos Aquáticos Exigem Ácidos Graxos e Não Lipídios, Artur Nishioka Rombenso - Nutrição, Aquaculture Brasil (01)

Os LC-PUFAs, em particular, possuem funções fisiológicas distintas que os diferenciam dos outros ácidos graxos: são, por exemplo, essenciais para o desenvolvimento neurológico e visual, e também percursores de importantes compostos bioativos. Os mais conhecidos LC-PUFAs são o ácido araquidônico (ARA, 20:4n-6), o ácido eicosapentaenoico (EPA, 20:5n-3) e o ácido docosaexaenoico (DHA, 22:6n-3), sendo que o EPA e o DHA são os famosos ácidos graxos Ômega-3.  Existem outros LC-PUFAs importantes, porém pouco estudados.

Pesquisas recentes demonstram que, dentre os LC-PUFAs, alguns são de maior importância que outros por possuírem funções fisiológicas mais relevantes para o organismo.  Isso ficou claro numa série de experimentos realizados no laboratório de nutrição da Southern Illinois University Carbondale com algumas espécies de peixes de água doce e marinhos como a truta, o bagre, o bijupirá, a corvina, o pampo e o olhete. E qual é a importância disso?  Qual é a grande utilidade de se conhecer as exigências de ácidos graxos pelos organismos e a aplicação desse tipo de pesquisa/conhecimento?

A maior justificativa é que, como a disponibilidade de óleo de peixe é limitada, sua procura aumentará a cada ano, ocasionando uma constante alta de preço. Atender às exigências nutricionais das espécies torna-se mais complicado e em muitos casos economicamente inviável.

Através desse conhecimento é possível utilizar fontes alternativas de lipídios, como óleos vegetais e gordura de animais terrestres, sem afetar o desempenho zootécnico da espécie e o perfil de ácidos graxos do produto final.

Com esse artigo quis mostrar que, embora assuntos considerados muito específicos sejam geralmente evitados, sua compreensão é possível através das justificativas de sua importância e aplicação. Além disso, quis ressaltar a importância de o alimento aquícola atender às exigências nutricionais de cada espécie para otimizar a produção.

tags: