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Aquicultura de Base Comunitária

Aquicultura de Base Comunitária
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Grandes extensões de terra e água. Miséria espalhada em todos os países, áreas costeiras e selvagens. Fome. Expressivo crescimento da aquicultura no continente nas últimas décadas. A pergunta é: “Na América-latina, neste contexto, a aquicultura de base comunitária tem crescido? ” E como definiríamos aquicultura de base comunitária?

Procurei na internet, em documentos da FAO, e não consegui encontrar um autor prestigiado para citar. Sendo assim, vou arriscar:

“Aquicultura de base comunitária pode ser definida como um sistema produtivo de organismos aquáticos executado e gerenciado por um grupo de pessoas de uma determinada comunidade, os quais se associaram para o bem comum. Este grupo pode pertencer a um bairro, a uma associação de pescadores, ou simplesmente a uma comunidade inteira, geralmente assessorada tecnicamente por instituições públicas”.

Órgão públicos, através de políticos de plantão, sempre existiram nos quatro cantos do continente latino-americano, ávidos por ganhar votos repartindo crias, mas também existem muitos casos bem intencionados. Em meus quase 30 anos de aquicultura presenciei numerosos exemplos. Destaque para as fazendas mexicanas com camarão marinho no deserto de Sonora, organizadas e gerenciadas por índios, onde cada família recebia de 1 a 2 hectares. Projetos de tanques-rede para produção de juvenis de camarão para isca-viva, inúmeros projetos de cultivo de tilápia e moluscos bivalves. Entretanto, a maioria não obteve o sucesso esperado. Em muitos casos problemas no decorrer do projeto criados pela própria comunidade, em outros, falta de viabilidade econômica ao longo do tempo, em outros ainda, problemas técnicos, falta de acompanhamento público eficiente em função do término do projeto ou da substituição do coordenador original. Especulação imobiliária e turismo desenfreado também se configuram motivos para o insucesso de alguns projetos comunitários. Atualmente, como professor universitário, o único táxon que se cultiva na porta de casa são os moluscos.

Com um grupo de professores e alunos estamos tentando atuar nas comunidades da Baía de Paranaguá. Na região, existem mais de vinte comunidades espalhadas e com acesso só por água. Quase todas cultivam de forma rudimentar a ostra-do-mangue nativa. A ideia, ao invés de fazer um megaprojeto e fornecer estrutura com dinheiro público, é tentar ajudar no que eles já fazem e aos poucos tentar tornar uma comunidade um modelo para outras.

Que a demanda venha das comunidades, ao invés da universidade propor ideias ou projetos milagrosos. Nossa eleição foi a comunidade nativa da Ponta Oeste da Ilha do Mel. Já organizamos um seminário interno no final de 2016. A aquicultura de base comunitária pode ser romântica, mas não é mais fácil que qualquer outro tipo de aquicultura. Sabem qual é um dos principais problemas no cultivo desta comunidade supracitada? O roubo!

O roubo por parte de pescadores artesanais de outras comunidades. E fica a pergunta. Os tomadores de decisão da aquicultura brasileira estarão focados apenas em grandes projetos empresarias, ou teremos espaço para desenvolver a aquicultura de base comunitária pelo Brasil.

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