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Será a especialização o caminho?

Será a especialização o caminho?
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A ranicultura é uma atividade zootécnica por essência e seu ciclo produtivo pode ser dividido em 3 fases distintas – reprodução, larvicultura ou girinagem e engorda. A atividade completou 80 anos de existência no Brasil em 2015. Muitos modelos de produção foram criados, uns em uso, ainda que aprimorados, outros completamente abolidos. A alimentação também continua sendo motivo de investigação científica e assim será, por representar o maior percentual de custo da produção, além disso, seu desenvolvimento resulta em melhor aproveitamento dos nutrientes da dieta e menor descarga de dejetos.

Porém, o ranicultor ainda desenvolve todas as etapas de criação. Um ranário clássico é conhecido por desenvolver a ranicultura integral, onde todas as suas fases estão representadas. Devemos manter esse formato ou seguir o exemplo de outras cadeias produtivas, como as do frango, dos suínos e dos peixes? Será a especialização o caminho?

Para respondermos é necessário entender primeiro cada etapa do ciclo produtivo. A reprodução é composta por animais que, desejavelmente, devem possuir características zootécnicas interessantes e baixa consanguinidade, de modo a obter-se o máximo de heterose possível aliada às características de produção benéficas, como precocidade, prolificidade, sobrevivência, rendimento de carcaça, entre outras. Devido à não especialização, hoje os ranários não possuem reprodutores selecionados, muitas vezes são consanguíneos e não existe marcação dos animais, logo não se pode traçar um esquema de cruzamentos favoráveis, nem tampouco conhecer sua história reprodutiva. Como a reprodução é o berço de qualquer atividade de criação, a falta de conhecimento e investimento nessa etapa provoca uma cascata de problemas que se refletem nas demais fases.

A fase seguinte, representada pela criação dos girinos, é realizada em tanques de dimensões diversas, por materiais de cobertura diversos, com densidades animais diversas, ainda que existam orientações relacionadas a esses detalhes. Por que isso ocorre? Normalmente porque se superdimensiona a reprodução e se subdimensiona a larvicultura, logo são obtidas muitas desovas e o produtor, por não querer desperdiçá-las, acaba por adensar os animais. O resultado é catastrófico! As taxas de mortalidade se elevam e os animais que se transformam em juvenis são pequenos. A falta de padrão se dá pela ausência de profissionalização do produtor no que tange a esse segmento. Reprodução e engorda acontecem ainda que o produtor erre, mas a girinagem não. Ela é um grande gargalo.

Por fim temos a engorda, que pode ser subdividida em inicial (criação dos imagos ou juvenis de rã) e final (criação das rãs até o peso de abate). A criação dos imagos pode ser dificultada quando seu peso e tamanho são inferiores ao padrão ideal. Pode ocorrer maior mortalidade e mais ração será empregada no sentido de conduzir o animal ao peso final almejado, ou seja, aumenta-se o tempo e o custo de produção. Após 50 gramas passamos a chamá-los somente de rãs e sua criação é extremante fácil, ainda que desenvolvida de diferentes maneiras.

Agora podemos responder que manter o formato atual não é o melhor caminho, portanto somos favoráveis à especialização. Ela pode promover uma mudança conceitual na forma como se produzem as rãs. Ela significa uma profissionalização do setor. Dá foco e permite a concentração de esforços e investimentos.

Saudações ranícolas!

Figura. Técnico aplicando hormônio indutor da reprodução em macho de rã-touro americana © Andre Muniz Afonso (2014)

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