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Dinâmica x Estática

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Contrariando sempre as leis da física a aquicultura apresenta componentes biológicos, climáticos e humanos que a tornam uma ciência inexata. Inexata a ponto de empresarialmente causar reviravoltas de grande porte neste setor pujante do agronegócio brasileiro.

O exemplo de fascínio que exploraremos agora é a carcinicultura brasileira, a qual passa por um momento histórico e decisivo em sua história. Depois de anos de convivência com o vírus da mancha branca no país o mesmo atinge o maior estado produtor do país, o Ceará. Tal fato, somado à seca e falta de água, incidem sobre este importante produtor nacional, elevando mortalidades a níveis nunca antes vistos, assustando os produtores e levando cerca de noventa por cento dos viveiros a ficarem vazios por no mínimo precaução.

Por outro lado, os mercados consumidores brasileiros, que se habituaram a consumir o camarão de criação pressionaram a oferta restrita e ativaram a famosa lei da “Oferta e Demanda”, como conclusão temos hoje os preços praticamente duplicados nos centros urbanos quando comparamos com o início do ano de 2016.

Esta autorregulação do mercado vem a premiar e estimular aqueles produtores de outros estados, como Rio Grande do Norte e Paraíba entre outros, que por anos sofreram com a tal “mancha branca” e aos poucos aprenderam a conviver com ela, gerando números aceitáveis e remuneradores, sem falar naqueles projetos que investiram em novos processos tecnológicos que protegem suas criações das infecções e trazem produtividades que batem qualquer grande número ao longo do mundo.

Neste momento então a dinâmica venceu a estática, os produtores que aprenderam a conviver com a doença, os produtores que investiram em novas tecnologias e as empresas que acreditaram no potencial de produção de nossa gente, venceram. Se tivessem ficado parados, como vários fizeram, assistiriam de camarote mais um caso de sucesso da aquicultura brasileira.

Caso de sucesso este que hoje traz ao perseverante um preço excelente e que remunera sua produção de forma justa e honrada, sucesso este que a pouco tempo não era imaginado nem pelo mais otimista dos carcinicultores que tinham “mancha branca” em suas áreas. Cabe agora ao carcinicultor cearense, arregaçar as mangas, seguir os passos de boas práticas de manejo necessárias para vencer o vírus e com certeza em breve voltar ao topo da aquicultura cearense e brasileira!

Figura © André Camargo

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