Principal Artigos Avaliação da substituição da biomassa natural utilizada na alimentação de reprodutores de camarão pela dieta Vitalis 2.5 da Skretting

Avaliação da substituição da biomassa natural utilizada na alimentação de reprodutores de camarão pela dieta Vitalis 2.5 da Skretting

Avaliação da substituição da biomassa natural utilizada na alimentação de reprodutores de camarão pela dieta Vitalis 2.5 da Skretting
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Aedrian Ortiz Johnson
Shrimp Technical Manager, Skretting Marine Hatchery Feeds
aedrian.ortiz@skretting.com

Tradicionalmente, de forma global, os setores de maturação das larviculturas de camarão alimentam seus reprodutores com alimentos frescos a 25-30% da biomassa. Esta técnica busca satisfazer a demanda nutricional otimizando o número de acasalamentos, desova e produção de náuplios. A utilização de alimentos frescos para reprodutores a base de lula, poliquetas, moluscos, ostras e também artemia normalmente resultam nas seguintes médias de produção:

15% – 20% de acasalamentos/dia;
150.000-200.000 náuplios/fêmea;
Taxa de eclosão entre 60% -90%;
Taxa de mortalidade de fêmeas menor que 3%.

Ensaios comerciais demonstraram que reprodutores em maturação alimentados com a dieta seca Vitalis 2.5 somada a 5% de alimento fresco (lulas ou poliquetas) obtiveram equivalentes parâmetros de produção aos organismos alimentados exclusivamente com alimentos frescos (lula, poliquetas, moluscos, ostras e também artemia salina).

As doenças são um dos maiores desafios no cultivo de camarão. Mancha branca (WSSV), Síndrome de Taura (TSV), Infecção Hipodermal e Necrose Hematopoiética (IHHNV), Bacterioses por Vibrio harveyi e Vibrio parahaemolyticus, são exemplos dos maiores desafios.

A maioria destas doenças pode ser transmitida através dos alimentos frescos. Por muitos anos, esse tipo de alimento têm sido o principal componente da alimentação dos reprodutores no setor de maturação dos laboratórios de produção de larvas de camarão.

Os principais desafios das dietas tradicionais que utilizam exclusivamente alimento fresco são:

1. Fonte de ingredientes de origem marinha – como o consumo humano destas espécies e a disponibilidade é limitada, esse tipo de alimento torna-se mais caro e com uma logística complexa;
2. Poliquetas – são fontes difíceis de serem encontradas em alguns países devido à sobrepesca;
3. Biosegurança – As doenças representam o principal risco para os reprodutores utilizados na maturação, bem como para sua prole (náuplio). A maioria destas fontes de alimentos é de origem marinha, o que as torna um possível vetor de doenças para o camarão, causando, por exemplo, WSSV e bacterioses por Vibrio Harvey ou Vibrio parahaemolyticus. Mesmo quando provenientes de países onde não possuem criação de camarão, o risco de introdução de novos agentes patogênicos é significativo.

Vitalis 2.5 é um alimento granulado macio, extrusado a frio. É formulado e produzido no centro de excelência de dietas de incubação da Skretting na França. A fórmula é baseada em um nível elevado de componentes proteicos marinhos, algas, ácidos graxos poliinsaturados (DHA / EPA), vitaminas e minerais. A dieta é formulada com um elevado teor proteico para promover a elevada fecundidade e frequência de desova, possui 2,5 mm de diâmetro e aproximadamente 5,0 mm de comprimento.

Protocolo com a dieta seca Vitalis 2.5:

tabela-1

Tabela 1. % Peso Vivo* – Total de oferta de alimento para o camarão por dia (total =8%)

A metodologia e resultados dos ensaios comerciais que têm sido realizados em laboratórios no México e no Brasil são descritos a seguir:

México – Maricultura del Pacifico S.A.

A Maricultura del Pacifico é um dos maiores laboratórios de produção de pós-larvas de camarão no México. Em operação desde 1992, a empresa localiza-se em Mazatlán, Estado de Sinaloa. Desde o início de suas operações tem desfrutado de uma localização privilegiada, dando-lhe acesso ao mercado, clima favorável, boa qualidade da água e possui uma capacidade de produção de 500 milhões de pós-larvas por mês. No momento, conta com um núcleo genético e um centro de incubação, que consiste em: maturação, larvicultura, berçário, engorda e um laboratório de diagnóstico.

Metodologia

O ensaio foi dividido em uma população controle em tanques de maturação alimentados com a dieta tradicional e uma população teste alimentada com o seguinte protocolo:

tabela-2

Os tanques de maturação foram estocados com oito reprodutores por metro quadrado, com uma proporção de 1: 1 entre machos e fêmeas. A renovação de água foi de 200% ao dia, com temperatura e salinidade média de 28°C e 35 ppt, respectivamente. O peso médio das fêmeas foi de 40 e 32,8 gramas para o grupo controle e teste, respectivamente. A alimentação diária foi dividida em cinco frequências alimentares.

Resultados

tabela-3

Nota: O número de ovos e náuplios foram calculados como taxa de biomassa.

tabela-4

O resultado mostrou que não houve diferença significativa entre as duas dietas. A dieta experimental Vitalis 2.5 + poliquetas teve uma produção 4% maior de náuplios por fêmea. O estudo também mostrou que os animais mudaram livremente a ingestão entre alimentos frescos e formulados sem qualquer restrição.

Brasil

No Brasil, o experimento foi realizado em um dos maiores laboratórios do País, líder do mercado nacional, localizado no Rio Grande do Norte, com capacidade de produção de 250 milhões de pós-larvas por mês.

Metodologia

O experimento foi dividido em dois grupos, o controle, que foi alimentado com a dieta tradicional de maturação e o grupo tratado com a dieta teste (3% Vitalis 2.5 + 5% lula), conforme tabela abaixo.

tabela-5

Os tanques de maturação foram estocados com oito reprodutores por metro quadrado, na proporção de 1: 1 entre machos e fêmeas. A renovação de água foi fixada em 250% ao dia, mantendo temperatura e salinidade média de 28 ° C e 35 ppt, respectivamente. O peso médio inicial das fêmeas do grupo controle foi de 53,5 gramas enquanto as fêmeas do tratamento Vitalis 2.5 tinham 51,2 gramas. Os animais foram alimentados com as dietas experimentais em cinco frequências diárias.

Resultados

tabela-6
tabela-7

Os resultados mostraram que não houve diferenças significativas entre as dietas. A dieta experimental Vitalis 2.5 + lula resultou em apenas 10% menos número de náuplios por fêmea.

A qualidade da água nos tanques de maturação foi melhorada, e esse resultado refletiu na redução da mortalidade das fêmeas e na redução da necessidade de renovação de água, quando comparado ao tratamento controle.

Conclusão

Após vários ensaios, observou-se que a dieta seca Vitalis 2.5 pode ser utilizada como ingrediente principal na alimentação da maturação apresentando excelentes números de produção. Portanto, a dependência das dietas frescas com várias fontes, que representam um perigo para a saúde na primeira fase de cultivo de camarão, foi reduzida significativamente.

Ambas as combinações: Vitalis 2.5 + lula e Vitalis 2.5 + poliquetas mostraram resultados similares, tanto no Brasil quanto no México. Seguindo diferentes protocolos os resultados foram estatisticamente iguais. O número de náuplios por fêmea e a % de acasalamento não mostrou difererença significativa. A dieta Seca Vitalis 2.5 está em uso em ambos os países, utilizando 3% dieta seca + 5% de lulas mostrando os mesmos resultados.

Avaliação da substituição da biomassa natural utilizada na alimentação de reprodutores de camarão pela dieta Vitalis 2.5 da Skretting
© Aedrian Ortiz Johson

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