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Arroz e peixe, juntos não apenas no prato

Arroz e peixe, juntos não apenas no prato
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Que arroz e peixe combinam muito bem no sushi nós já sabemos, porém, não somente combinados no sushi, mas também no cultivo é que essa integração dá certo. E isso os chineses já haviam descoberto a cerca de 2000 mil anos atrás, quando passaram a introduzir alevinos de carpa nos arrozais e meses após a colheita do arroz, os peixes já estavam grandes o suficiente para irem para a panela.

Neste sistema de produção, denominado de rizipiscicultura, o produto principal é o arroz, enquanto o cultivo de peixes é tido como renda complementar. Esse consórcio permite uma redução nos custos da lavoura arrozeira, uma vez que as fezes dos peixes acabam sendo uma forma de adubo orgânico ao arroz. O uso de produtos químicos também é dispensado, pois os peixes alimentam-se das plantas invasoras, larvas de inseto, caramujos e de sementes de arroz que acabam ficando após a colheita e que podem ser focos de doenças causadas por fungos.

Rizipiscicultura, arroz e peixe, juntos não apenas no prato, Aquaculture Brasil (01)

Mas quanto as sementes de arroz, estas não são consumidas pelos peixes? Para que isso não ocorra o planejamento de plantio e povoamento devem ser muito bem definido. Recomenda-se que os alevinos sejam colocados trinta dias após a semeadura do arroz, que ocorre entre outubro e novembro. Este intervalo é suficiente para que o arroz adquira um tamanho maior, de modo que seja possível aumentar o nível de água na cancha, e os alevinos nadarem sem causar danos ao arrozal. No mês de março começam as colheitas do arroz, e os peixes ainda permanecem por aproximadamente oito meses ocupando toda a cancha e assim contribuindo para revolvimento do solo e eliminação das pragas.

A escolha das espécies a serem introduzidas é fundamental. Segundo EMATER/RS, recomenda-se para carpas que a proporção seja 70% Carpa Húngara, 20% Carpa Capim e 10% Carpas Filtradoras (prateada ou cabeça grande). As carpas do tipo Húngara (Cyprinus carpio) possuem o hábito alimentar onívoro, revolvendo o solo à procura de insetos e outros organismos. Sua importância se dá principalmente na preparação do solo para a semeadura da próxima safra. A Carpa Capim (Ctenopharyngodon idella) será responsável pela eliminação das ervas invasoras e das sementes que acabam ficando pós colheita. As carpas filtradoras irão consumir o plâncton e o zooplâncton presentes naturalmente na água.

O resultado médio das despescas obtidas pela EMATER/RS é de 1.000kg de biomassa de peixe por hectare em um período de 12 meses e 6.500kg de arroz/ha.

O sistema, apesar de ainda passar por adequações, apresenta não somente vantagens ecológicas, mas também do ponto de vista econômico, uma vez que o arroz oriundo das rizipisciculturas pode ser oferecido no mercado como um produto de origem orgânica.

seer.ufrgs.br
emater.tche.br
pesca.sp.gov.br