Principal Colunas Neoechinorhynchus buttnerae (Acanthocephala): verminose emergente em peixes redondos

Neoechinorhynchus buttnerae (Acanthocephala): verminose emergente em peixes redondos

Neoechinorhynchus buttnerae (Acanthocephala): verminose emergente em peixes redondos
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A criação de peixes redondos atualmente corresponde por mais de 41% da produção piscícola nacional, conforme os dados apresentados pelo IBGE em 2015. Entre as espécies de importância comercial, o tambaqui (Colossoma macropomum) se destaca em números e eficiência produtiva, correspondendo por 56% da produção nacional de peixes nativos brasileiros e 70,1% entre os peixes redondos, que integram espécies como a pirapitinga (Piaractus brachypomus), o pacu (Piaractus mesopotamicus), bem como os híbridos intergenéricos tambatinga (Colossoma macropomum ♀ x Piaractus brachypomus ♂) e tambacu (Colossoma macropomum ♀ x Piaractus mesopotamicus ♂) (IBGE, 2015). No entanto, com a intensificação de sua criação, tem emergido doenças e patógenos que são responsáveis por ocasionar prejuízos econômicos, ambientais e sociais para a cadeia produtiva de peixes redondos.

Desde o final da década de 1990, foram relatados os primeiros casos de problemas sanitários na criação de tambaqui causados pelo verme Acanthocephala Neoechinorhynchus buttnerae no estado do Amazonas. Desde então, esta verminose tem se disseminado entre os estados da região amazônica e áreas de transição deste bioma, incluindo Rondônia, Roraima, Mato Grosso e Maranhão. A fonte de infecção para este verme possivelmente foi a partir de animais portadores do ambiente natural, uma vez que sua descrição inicial foi realizada em peixes de vida livre, contudo, sua disseminação entre diferentes regiões pode ter sido favorecida pelo transporte de alevinos portadores desta parasitose.

Figura 1. Tambaqui infestado pelo verme acantocéfalo Neoechinorhynchus buttnerae. (a) Peixe exibindo emagrecimento acentuado. (b) Intestino com infestação severa pelo acantocéfalo (AC), mostrando espessamento da parede intestinal (asteriscos).

Figura 1. Tambaqui infestado pelo verme acantocéfalo Neoechinorhynchus buttnerae. (a) Peixe exibindo emagrecimento acentuado. (b) Intestino com infestação severa pelo acantocéfalo (AC), mostrando espessamento da parede intestinal (asteriscos).

A infecção por este acantocéfalo dificilmente causa a morte dos peixes parasitados, contudo, promove queda expressiva no desempenho produtivo dos animais, podendo ocasionar perda de peso e até mesmo caquexia em casos mais severos (Figura 1a).

Este fato, geralmente leva os produtores a questionarem inicialmente a qualidade das rações utilizadas para o crescimento e engorda dos peixes. No entanto, o que deve ser feito é a análise para diagnóstico da infecção intestinal por este parasito, sendo facilmente detectado a partir da necropsia e abertura de intestino anterior e médio (Figura1b), podendo em casos mais severos, ocorrer infestação em praticamente todo o tubo digestivo a partir da região pilórica (válvula após o estômago).

A diminuição do desempenho dos animais infectados por esta verminose ocorre devido à competição pelos nutrientes da ração, bem como pela diminuição da área funcional responsável pela absorção intestinal. Além disso, este acantocéfalo penetra as camadas do intestino (Figura 2a), que por sua vez, induz a ocorrência de um processo inflamatório severo e ocasiona a dilaceração da mucosa intestinal por meios de seus espinhos de fixação (Figura 2b).

Figura 2. Secções histológicas do intestino de tambaqui infestado pelo acantocéfalo Neoechinorhynchus buttnerae. (a) Proboscide do verme (AC) alojado na submucosa intestinal, em meio a severo processo inflamatório mononuclear (asterisco). (b) Espinhos da proboscide dilacerando a mucosa intestinal. Coloração HE.

Figura 2. Secções histológicas do intestino de tambaqui infestado pelo acantocéfalo Neoechinorhynchus buttnerae. (a) Proboscide do verme (AC) alojado na submucosa intestinal, em meio a severo processo inflamatório mononuclear (asterisco). (b) Espinhos da proboscide dilacerando a mucosa intestinal. Coloração HE.

Atualmente não existem fármacos com registro para tratamento desta verminose. Por este motivo, os piscicultores de peixes redondos utilizam produtos “Off label” (Sem indicação de bula) na tentativa de controlar a infestação pelos acantocéfalos. Dentre os principais produtos utilizados, os anti-helmínticos da categoria Benzimidazóis são os mais utilizados. Recentemente, indústrias farmacêuticas com atuação no Brasil têm realizado levantamentos preliminares sobre este mercado para avaliar seu potencial de consumo e embasar estudos de pesquisa e desenvolvimento, bem como para registro de novos produtos para a piscicultura nacional.