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Automação na Tilapicultura: necessidade para se ter competitividade

Automação na Tilapicultura: necessidade para se ter competitividade
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Após sobreviver a crise hídrica dos anos de 2014 e 2015, a tilapicultura brasileira ingressa em nova fase da sua história recente: a automação no campo. Equipamentos modernos nos frigoríficos e nas fábricas de ração sempre foram comuns na atividade. A novidade agora é a adoção, e até mesmo o desenvolvimento de equipamentos, que conferem maior agilidade, melhor qualidade e, especialmente, bem estar dos peixes nas etapas de produção de alevinos, classificação e despesca. Alguns destes equipamentos são importados, outros produzidos em indústrias brasileiras e há ainda os que são desenvolvidos na própria fazenda. A necessidade de se trabalhar com maior eficiência objetivando o ganho em escala, estimula a criatividade dos produtores.

Pela necessidade do contato constante com a água, o desenvolvimento de equipamentos para manejo de peixes sempre foi mais complexo.

No entanto, o que se tem observado nos atuais equipamentos é que estão exatamente usando a versatilidade da água para facilitar os processos. Assim, ganha-se em eficiência com um mínimo de estresse para os peixes.

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É uma grande satisfação, pra quem é apaixonado pela atividade e acompanha o dia-a-dia das pisciculturas, conferir esta transformação no campo e empolgar-se ao analisar como era antes e como é agora. Porém, por traz destas inovações mecânicas há uma análise muito mais ampla e animadora para a atividade: justifica-se investir em tecnologias, pois, a atividade está sendo rentável e, portanto, quanto maior for à eficiência, maior a rentabilidade. Bem como também a necessidade de se trabalhar no conceito baseado em economia de escala, onde a verticalização do processo produtivo caminha junto.

Diferente das outras atividades pecuárias onde a cadeia produtiva encontra-se bem dividida em cria, recria e engorda, na produção de peixes o que se tem observado nas grandes empresas é a tendência de autossuficiência no que se refere a produzir a própria ração, próprio alevino, recria, engorda, abate, processamento e distribuição.

Apesar desta tendência de verticalização dos grandes empreendimentos, deve-se destacar que entre os médios produtores a subdivisão das etapas de produção ainda é um bom negócio. Ao pequeno produtor, resta o associativismo, o cooperativismo ou ainda se contentar com a piscicultura familiar, praticando a venda regionalizada de sua produção, o que não deixa de ser um negócio rentável.

Exemplo exitoso de associativismo pode ser comprovado no município de Jatobá-PE, onde a Associação de Jovens Criadores de Peixes, que tem como líder o Padre Antonio Miglio, vem criando tilápias desde 2002. A união de pequenos produtores, bem como melhor organização do cultivo, tem proporcionado maiores ganhos aos associados, já que maiores volumes, tanto para comprar insumos (ração, em especial) quanto para vender a produção, abrem espaço para melhores negociações.

Em relação ao cooperativismo, exemplo melhor não há do que o observado no oeste do Paraná (região de Toledo-PR), onde a produção de tilápias em tanques escavados vai de vento em popa, graças a integração realizada por intermédio da Cooperativa Aurora.

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Dos equipamentos importados, grande parte são réplicas das máquinas utilizadas na indústria do salmão. Pequenos ajustes nestas máquinas as deixam ideais para o uso na tilapicultura. Para não depender de importações, especialmente nestes últimos anos onde a taxa cambial não favorece tal comércio, indústrias brasileiras iniciaram a produção de várias máquinas. Via de regra, estão cumprindo bem o propósito para o qual foram desenvolvidas, com preços em média 40% inferior.

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Mas o que tem chamado a atenção realmente são equipamentos desenvolvidos pelos próprios piscicultores. Isto envolve barcos mais resistentes e adequados para o fornecimento de ração aos peixes, por exemplo, plataformas de classificação e de despesca, transporte de peixes dentro da propriedade por meio de “aquadutos” e até mesmo equipamentos mais complexos, como por exemplo, máquina para classificar juvenis em 4 tamanhos acoplada a estrutura de vacinação manual.

Nota-se, portanto, que o tilapicultor já se conscientizou da necessidade em trabalhar dentro do conceito de economia de escala. Seja por meio do associativismo, do cooperativismo ou por meio de investimentos na automação da fazenda.

E, quando nenhuma destas 3 opções estão ao alcance, o negócio é partir para a criatividade e desenvolver a sua própria máquina, de modo a ter uma produção mais eficiente. E é neste ritmo que a tilapicultura, ano a ano, vai se consolidando como uma importante atividade do agronegócio brasileiro e a mais organizada e evoluída da nossa aquicultura.