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Peixes requerem aminoácidos e não proteína

Peixes requerem aminoácidos e não proteína
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Gosto de ressaltar que a Nutrição é uma ciência que engloba várias áreas de conhecimento, como a química, a bioquímica, as ciências moleculares, as ciências celulares, a histologia, a anatomia, as ciências biológicas e as ciências naturais. É essencial ter uma noção básica sobre as principais áreas de conhecimento que influenciam a nutrição animal e integrá-las com a biologia e a fisiologia da espécie em questão para melhor entender as demandas e requerimentos nutricionais da mesma. (Espero que os artigos dessa coluna sejam benéficos nesse sentido!) Isso facilitará muito a importante comunicação com técnicos e/ou gerentes de empresas de ração, pois (1) evitará equívocos e/ou pré-conceitos sobre fatos nutricionais (Em breve será publicada uma coluna apenas sobres equívocos, pré-conceitos e mitos envolvidos na nutrição aquícola.); (2) facilitará a melhor compreensão da filosofia da empresa de ração e também o processo de escolha de empresas conforme as preferências do produtor; (3) facilitará a apresentação e possível incorporação de novos produtos e ingredientes na formulação; (4) melhorará o relacionamento entre o produtor e a empresa de ração, que na maioria das vezes tem mais benefícios que pontos negativos melhorando a produtividade da fazenda, reduzindo custos e otimizando a utilização de ração.

No intuito de melhor entender as demandas e requerimentos nutricionais, acho importante primeiramente esclarecer a utilização desses termos no mundo da Nutrição. O termo ‘demanda’ é utilizado para grupos de macronutrientes como proteínas, lipídios e carboidratos. Por exemplo: “A tilápia possui uma menor demanda proteica que a truta”. Porém, para nutrientes como aminoácidos e ácidos graxos, o termo ‘requerimento’ é mais apropriado. Por exemplo: “Os peixes possuem uma elevada demanda proteica, porém requerem aminoácidos e não proteína”. Além disso, também não é apropriado dizer que peixes e organismos aquáticos requerem proteína, mas sim aminoácidos, que são as estruturas básicas que formam as proteínas. Esse é um dos maiores equívocos que vemos no mundo aquícola.

Fabricação de ração experimental na Austrália, e pesando farinha de peixe fabricação de ração experimental EUA, coluna Nutrição

Figura – Fabricação de ração experimental na Deakin University – Austrália (esquerda).
Pesando farinha de peixe (principal fonte proteica) para a fabricação de ração experimental na Southern Illinois University – EUA (direita).

Além do uso inadequado da terminologia, o fato dos organismos requererem aminoácidos e não proteína é de grande importância pois, em termos proteicos, numa formulação o relevante é que a quantidade e o balanço de aminoácidos estejam adequados para satisfazer o requerimento fisiológico da espécie. Exemplificando: Qual Ração de engorda (A, B, C, ou D) seria mais apropriada para juvenis da espécie Peixe deliciosus dentre as opções disponíveis no mercado, sabendo que nessa fase essa espécie demanda 45% de proteína bruta?: (1) Ração A com 50% de proteína bruta, quantidade e balanço de aminoácidos não adequados; (2) Ração B com 50% de proteína bruta, quantidade e balanço de aminoácidos adequados; (3) Ração C com 45% de proteína bruta, quantidade e balanço de aminoácidos não adequados, ou (4) Ração D com 45% de proteína bruta, quantidade e balanço de aminoácidos adequados. Infelizmente, em muitos casos as Rações A e B seriam as mais escolhidas devido ao maior conteúdo proteico que é associado ao melhor crescimento (nem sempre isso é válido) e à falta de conhecimento nutricional básico (geralmente não sabemos se as formulações possuem a quantidade e balanço de aminoácidos adequados para a espécie em questão). Nessa situação, a melhor opção seria a Ração D, pois está de acordo com as demandas e requerimentos nutricionais da nossa espécie. Agora vem uma questão, como identificar a Ração D no cenário real? O ideal é sempre trabalhar com um especialista no assunto (consultor) e verificar com o técnico responsável ou gerente da empresa de ração se o alimento utilizado é o mais recomendado para sua espécie e seu sistema de criação. Também acho válido consultar a opinião de um terceiro, por exemplo um pesquisador ou professor que trabalhe com nutrição.

Por fim, gostaria de agradecer a positiva recepção da minha primeira coluna, e também me colocar à disposição em caso de dúvidas, comentários e sugestões de temas.