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Lambaricultura: partindo para o processamento industrial

Lambaricultura: partindo para o processamento industrial
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Inicialmente, que baita satisfação fazer parte do time AQUACULTURE BRASIL. Não é simplesmente mais um site, mais uma plataforma! Trata-se de uma excelente iniciativa de divulgar nossa aquicultura por uma ótica diferente. Ao pactuar com os propósitos da AQUACULTURE BRASIL, prontamente aceitei o desafio de responsabilizar-me pela coluna: Atualidades e tendências da aquicultura.

E no artigo de estreia vou falar da atividade mais recente e que mais vem crescendo nos últimos anos dentro da aquicultura brasileira: Lambaricultura! Ah Fábio, mas lambari é uma espécie de pequeno porte, não tem representatividade dentro do Aquanegócio!!! Calma meu amigo, muito calma nesta hora. Não é o tamanho da espécie que determina a sua viabilidade econômica, e sim a margem de lucro que a esta proporciona. E aí estamos falando de espécie que atualmente possui custo de produção de R$ 60,00/milheiro e um preço de venda de R$ 160,00/milheiro. Podem até falar que sou suspeito pra falar desta espécie, já que é a minha principal linha de pesquisa. Por outro lado, é exatamente por estar inserido na atividade é que tenho conhecimento de causa para expor o quanto vem ganhando espaço nas pisciculturas brasileiras.

Aquicultura brasileira: Lambaricultura

A primeira criação comercial de lambaris surgiu em 2002 na cidade de Buritizal-SP, por iniciativa do piscicultor Jomar Delefrate. Por muitos anos, foi o único produtor e fornecedor de lambaris, onde o principal mercado é o de isca-viva. Concomitante ao desenvolvimento das técnicas de cultivo e aumento do número de produtores houve o desenvolvimento da pesca esportiva no Brasil. Já a partir do ano de 2010, várias pisciculturas no estado de São Paulo praticavam a lambaricultura.

No ano de 2012, estimou-se uma produção nacional da ordem de 60 milhões de unidades. Com o acelerado crescimento da pesca esportiva e, consequentemente, aumento da demanda por iscas-vivas, cada vez mais piscicultores, especialmente da agricultura familiar, deixaram de produzir outras espécies para se dedicarem ao lambari. Atualmente, 2016, estima-se que a produção nacional seja da ordem de 180 milhões de unidades por ano.
Espécie nativa, de ciclo curto, hábito alimentar onívoro e de fácil manejo quando comparado às espécies de maior porte, o lambari adaptou-se bem as técnicas de criação comercial e até mesmo em sistemas intensivos de produção, como em tanques rede e sistemas de recirculação de água (aquaponia, especialmente). Em relativo curto espaço de tempo à espécie ganhou pacote tecnológico de reprodução, manejo de produção e protocolo para o transporte vivo.

Sendo o título desta coluna “Atualidades e tendências da aquicultura”, não poderia deixar de registrar uma novidade pra esta atividade que em breve estará disponível no mercado. Trata-se de dois equipamentos: um para a retirada das escamas e outro para eviscerar o lambari. Venho atuando diretamente na concepção destes equipamentos, tanto no que se refere ao princípio de funcionamento do mesmo quanto também no fornecimento de informações biométricas do lambari. E aí, o cenário que já era otimista para a espécie ficará ainda mais atraente.

Pode-se afirmar que tais equipamentos já existem, pois, os protótipos experimentais apresentaram desempenho mais que satisfatórios durante os testes. O momento é de ajustes de detalhes de segurança, registro e aprovação, para em seguida disponibilizá-los comercialmente. Na condição de pescador esportivo, sinto em informar meus colegas pescadores: vai faltar lambari para isca viva!