Principal Notícias Cultivo de Camarões Policultivo de tilápias e camarões marinhos: uma opção às culturas tradicionais

Policultivo de tilápias e camarões marinhos: uma opção às culturas tradicionais

Policultivo de tilápias e camarões marinhos: uma opção às culturas tradicionais
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Policultivos na aquicultura são definidos como sistemas de produção que utilizam duas ou mais espécies aquáticas no mesmo ambiente (viveiro, tanque, etc.). Adicionalmente, via de regra, apenas uma espécie é alimentada com ração.

Os policultivos são modelos de aquicultura milenares. Na China, por exemplo, o cultivo integrado de diferentes espécies de carpas remonta há mais de 2.000 anos. Inclusive, boa parte das informações disponíveis sobre o tema “policultivo” refere-se à utilização das carpas, incluindo diversos manuais da FAO.

Contudo, integrar peixes e camarões também é possível e pode, inclusive, ser muito rentável. Existem diversos estudos publicados para o policultivo de tilápias e camarões de água doce e também para o policultivo de tilápias e camarões marinhos.

Tilápias e camarões marinhos

Da ótica do produtor de tilápias, os camarões adicionados aos seus viveiros aproveitariam os resíduos alimentares e metabólicos (fezes, etc.) dos peixes, depositados no solo. Agora, o tilapicultor passa a ser um produtor de duas espécies aquícolas distintas, sendo que a espécie-secundária é produzida a custo zero (exceto pelo valor desembolsado na compra das pós-larvas).

Da ótica do carcinicultor, cultivar tilápias no sistema pode ser uma boa saída nos momentos de crise, seja em um momento econômico desfavorável para a venda dos camarões, como também quando surtos de enfermidades “assombram” as monoculturas tradicionais de Litopenaeus vannamei.

As fazendas de carcinicultura são um “luxo” para cultivar peixes e praticamente nenhuma alteração é necessária para a introdução das tilápias. Existem ainda diversos estudos e inúmeras experiências práticas que ressaltam os benefícios das tilápias no controle de enfermidades virais que acometem os crustáceos.

Com o novo modelo, o aquicultor não fica refém apenas de uma espécie. A partir de agora, ele domina o cultivo de duas. As estratégias de povoamento, densidades, cronogramas de produção, pesos finais de cada espécie, etc., podem variar, de acordo com o mercado.

Do ponto de vista ambiental, os policultivos são mais sustentáveis do que os modelos semi-intensivos convencionais de produção, e devem ser fomentados pelo setor produtivo e pela academia, e vistos com bons olhos pelos órgãos ambientais.