Principal Notícias Cultivo de Peixes Evolução das rações na salmonicultura e o seu efeito na qualidade do pescado

Evolução das rações na salmonicultura e o seu efeito na qualidade do pescado

Evolução das rações na salmonicultura e o seu efeito na qualidade do pescado
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Publicado em 22 de fevereiro de 2016 na revista Scientific Reports, o artigo “Impact of sustainable feeds on omega-3 long-chain fatty acid levels in farmed Atlantic salmon, 2006–2015”, de autoria de M. Sprague, J. R. Dick & D. R. Tocher, traz uma reflexão a respeito do impacto das rações fornecidas na qualidade final dos peixes cultivados.

Ao longo de 10 anos (de 2006 a 2015), os pesquisadores avaliaram a composição de ácidos graxos em 3.000 salmões cultivados na Escócia. A hipótese que norteou o estudo era se a crescente substituição de ingredientes nas rações ao longo dos anos poderia afetar o perfil dos ácidos graxos dos peixes. E a resposta, foi sim!

Segundos os autores, a substituição dos tradicionais e finitos ingredientes marinhos, como farinha e óleo de peixe, em dietas para salmões de cultivo por alternativas sustentáveis de origem terrestre, desprovidas de EPA e DHA, apresenta-se como um desafio para a indústria aquícola.

EPA e DHA - Salmonicultura

Figura 1. Evolução nos níveis de ácidos graxos (EPA + DHA) presentes na carne do salmão cultivado na Escócia ao longo de 10 anos (Fonte: Sprague et al., 2016)

Os ácidos graxos do tipo ômega-3 (PUFA, EPA e DHA) são amplamente reconhecidos como sendo nutrientes essenciais para a saúde e bem estar para humanos, exercendo uma gama de benefícios para a saúde humana, a partir de suas ações moleculares, celulares e fisiológicas. Adicionalmente, os peixes são a principal fonte de PUFA para os humanos, além de serem uma excelente fonte de proteínas, vitaminas e minerais.

Porém, como o aumento da população global e, consequentemente, com o aumento da demanda por pescados, o uso de ácidos graxos terrestres tem aumentado significativamente, com a consequente redução nos níveis de EPA e DHA nas dietas. Os resultados do presente trabalho indicam que o valor nutricional do produto final é comprometido, requerendo-se o dobro do tamanho das porções, quando comparado com 2006, para satisfazer os níveis de EPA + DHA recomendados pelas organizações de saúde.

No entanto, os autores ressaltam que os salmões cultivados na Escócia ainda fornecem mais EPA e DHA que a maioria das outras espécies de peixes selvagens e de todos os alimentos terrestres. Os autores recomendam estudos acerca da utilização de microalgas nas dietas e também de vegetais terrestres geneticamente modificados como alternativa futura de fonte de ômega-3.

Acesse o artigo completo em: nature.com